ovo espaço reúne memória, arte e identidade catarinense, com visitação gratuita na porta de entrada da Serra
A casa tradicional, no estilo alemão, construída às margens da BR-282, não passa despercebida aos olhos de quem mora em Rancho Queimado e nem de quem trafega pela rodovia. Foram 10 anos em que a residência permaneceu abandonada, até que, no ano passado, foi comprada e colocada para alugar.

Foi então que a cerimonialista e empresária Júlia Brum teve uma ideia. “Essa casa sempre exerceu um fascínio sobre mim, então eu pensei que esse seria o lugar apropriado para uma casa de cultura, um espaço para a comunidade e desenvolvimento de projetos culturais”, explica.
A proposta da Casa da Cultura de Rancho Queimado é resgatar a história e dar espaço para a criação coletiva dos artistas locais, com exposições, apresentações, contação de histórias e diversas atividades, tudo de forma gratuita para quem quiser apreciar.
Malu Nakid, artista visual, embarcou no projeto junto com Júlia, que também atua como organizadora de eventos, decoradora e designer floral.
“Aqui vai acontecer o desenvolvimento artístico, criativo e social de crianças e jovens. Para os adultos, vamos promover o bem-estar e a saúde através de projetos como grupos de leitura, pintura, oficinas de colagem, modelagem, entre muitos outros”, destaca Malu.
O sentimento de pertencimento ao local fez com que dezenas de moradores e fundadores da cidade doassem objetos de seus antepassados, que carregam histórias, para a sala da memória e para a biblioteca comunitária.
O projeto é fomentado com o apoio da iniciativa privada, por meio de parcerias que estão sendo formadas com empresas da região e voluntários, que colocaram a mão na massa para montar a casa com tanto carinho.
INAUGURAÇÃO DA CASA DA CULTURA
Depois de um ano de trabalho, a inauguração acontece no dia 10 de outubro de 2026, às 9h. O evento será aberto ao público e contará com contação de histórias, oficinas de pintura, jogos e dança alemã.
Às 15h, acontece a solenidade de abertura oficial.
A visitação na casa será de quinta-feira a sábado, das 10h às 18h, para o público em geral. O espaço também estará aberto para visitação de escolas e instituições, com horários flexíveis em função dos cursos, oficinas e grupos de estudo.
O espaço conta com galeria de exposições, sala da memória com antiguidades, biblioteca, floricultura, loja de artesanato local e peças étnicas culturais, casinha para crianças, um belo jardim, contação de histórias, ateliê de artes para adultos e crianças, além de apresentações de música, dança e poesia.
A Casa da Cultura também terá uma agenda cultural repleta de novidades a cada mês.
“Somos um grupo cultural, queremos fomentar a arte, resgatar a memória da região, ampliar as opções de turismo e visitação na cidade, mas principalmente trazer exposições, cursos, workshops, grupos de estudo e leitura para os moradores locais. Dar oportunidade para que diversos artistas do estado, coletivos e associações, possam expor aqui”, convidam Malu e Júlia.
A CASA NA ENTRADA DA CIDADE
A história começa com Alfredo Roberto Sell, descendente de imigrantes alemães. Em 5 de outubro de 1905, ele se instalou em Rancho Queimado, onde fundou uma pequena cervejaria, que depois veio a se tornar a Pureza, na entrada de Rancho Queimado.

A origem do refrigerante Pureza está ligada a um pedido das mulheres da comunidade, que não apreciavam tanto o sabor amargo da cerveja. A família começou então a produzir uma bebida sem álcool, inicialmente conhecida como “cerveja doce”, vendida também nas garrafas tradicionais.
Com o tempo, a bebida recebeu sabor de guaraná e, em 1926, ganhou o nome “Pureza”.
Ainda hoje são encontradas garrafas de vidro da Pureza, e há quem diga que o sabor é diferente da mesma bebida comercializada na garrafa PET.
A casa tradicional próxima à fábrica foi construída em 1934 pelo próprio Alfredo Sell para seu filho. Décadas mais tarde, ela continuava sendo a residência de Adelmar Sell, neto do fundador.
Segundo ele, a casa foi construída antes de seu nascimento e permaneceu ligada à família por gerações.
Atualmente, a casa foi vendida pela família para duas irmãs, que oportunizaram a locação do imóvel para as duas empreendedoras. Júlia e Malu reformaram o espaço e criaram a Casa da Cultura, transformando o imóvel em um importante marco cultural da cidade, às margens da BR-282.
QUEM FAZ PARTE
O espaço foi construído a muitas mãos, com a participação de artistas visuais, escultores, fotógrafos, artesãs, poetas e escritores. Confira alguns deles:
TATIANA HEINZ – ARTISTA PLÁSTICA
Natural de Rancho Queimado (SC), Tatiana Heinz tem toda a família ainda vivendo no município. Faz desenhos desde criança e, aos 18 anos, começou a pintar telas em uma escola profissional na cidade vizinha.
Um mês depois, passou a pintar somente em casa e iniciou a venda de seus quadros. A partir disso, vieram os convites para começar a dar aulas.
Desde então, vem ensinando a arte da pintura em tela e também em tecido em cidades de toda a região.
PHILIPPE DEBDLED – FOTÓGRAFO
Nascido em Bruxelas e radicado no Brasil, em Florianópolis, desde 1995, Philippe Debdled é fotógrafo de natureza e paisagem.
Ao longo dos anos, essa relação com a fotografia foi tomando diferentes formas, como editoriais, livros e exposições. Atualmente, também atua na produção de obras Fine Art, levando a presença da arte para diferentes ambientes.
ANA LUDWIG – CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Apreciadora da delicadeza, Ana Ludwig nasceu na Ilha de Florianópolis. É pedagoga e professora, amante das artes, da educação, da literatura e de toda forma de beleza.
Atua coordenando e mediando clubes de leitura, promovendo rodas de Biblioterapia, entre outras ações que divulgam a literatura e contribuem para a formação de leitores.
GRUPO FOLCLÓRICO – DANÇA ALEMÃ
O grupo nasceu em Antônio Carlos, em 2024, a partir da amizade de pessoas que já compartilhavam a tradição de participar dos desfiles nas festas alemãs da região.
Unidos pelo amor à cultura germânica, decidiram transformar essa paixão em dança e alegria.
O que dá vida ao grupo são as pessoas que o compõem. Cada integrante contribui com seu entusiasmo, talento e dedicação, tornando cada passo mais especial.
MARIA ISABEL WOBETO – ARTISTA PLÁSTICA VISUAL
Natural de Passo Fundo (RS), Maria Isabel Wobeto é artista plástica visual e psicóloga.
Vive em Santa Catarina há mais de uma década e, após residir em Florianópolis, estabeleceu-se em Rancho Queimado (SC), onde mantém seu ateliê e desenvolve sua produção artística.
Autodidata, iniciou sua trajetória nas artes visuais em 1997, dedicando-se à pintura em telas. Mais recentemente, encontrou na cerâmica um novo espaço de criação e expressão.
Sua obra nasce da observação sensível da natureza, das emoções e da experiência humana, transformando sentimentos em poesia visual.
MALU NAKID – AQUARELAS
Artista plástica visual, professora-artista e Terapeuta Artística Antroposófica (RTA 104), Malu Nakid, desde 1990, ainda em sua primeira profissão, na área de arquitetura e paisagismo, encontrou na aquarela um meio de expressar sua visão de mundo, a contemplação dos espaços e a admiração pela natureza.
Também atua como professora e facilitadora de processos por meio da arte.
Há dez anos, na série “Aves Brasileiras e Seus Habitats”, explora e estuda artisticamente pássaros, em especial as aves do Sul, fazendo da observação uma rotina diária.








