O médico foi condenado por importunação sexual contra 10 mulheres durante atendimentos. Segundo o MPSC, ele se aproveitava da confiança das pacientes para simular procedimentos médicos e praticar atos libidinosos. O réu está preso preventivamente desde março deste ano, e a sentença ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Um médico de Catanduvas, no Meio-Oeste de Santa Catarina, foi condenado a 37 anos e 11 meses de reclusão por importunação sexual contra 10 mulheres atendidas por ele. A condenação ocorreu após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apontou que o profissional se aproveitava da relação de confiança estabelecida com as pacientes para praticar atos de natureza sexual durante consultas e exames.
O médico está preso preventivamente desde março deste ano, por determinação judicial solicitada pela Promotoria de Justiça da comarca. Com a sentença condenatória, ele recebeu a pena de reclusão, mas a decisão ainda é passível de recurso.
Conforme a denúncia do MPSC, mesmo sem ser especialista em ginecologia, o médico realizava exames invasivos sem justificativa técnica, tocava as regiões íntimas das pacientes sem autorização, expunha os seios delas sob pretextos clínicos considerados infundados e fazia comentários de cunho sexual durante os atendimentos.
Segundo a acusação, as mulheres eram levadas a acreditar que os procedimentos faziam parte de atendimentos médicos legítimos, quando, na realidade, os atos tinham finalidade sexual.
O promotor de Justiça Diego Bertoldi destacou que a condenação representa uma resposta à violência sofrida pelas vítimas e reforça que condutas dessa natureza não podem ficar impunes.
“A sentença reconhece a gravidade da violência praticada e demonstra que a confiança depositada em um profissional da saúde não pode ser usada para a prática de crimes. É uma resposta necessária para impedir que esse tipo de conduta se repita e para reafirmar que não há espaço para a impunidade”, afirmou.
ENTENDA O CASO
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os fatos ocorreram entre outubro de 2024 e setembro de 2025, durante atendimentos realizados no Hospital Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e no posto de saúde do bairro Sebaldo Kunz, em Catanduvas.
Com base nas investigações e nos depoimentos das vítimas, o MPSC apontou que o médico utilizava sua posição profissional para realizar toques nas regiões íntimas e nos seios das pacientes, além de expor partes dos corpos delas sob justificativas clínicas.
Em alguns casos, conforme a denúncia, foram realizados exames invasivos sem necessidade técnica ou autorização, com o uso de luvas e instrumentos médicos como pretexto para os atos. O profissional também teria feito perguntas e comentários de cunho sexual durante as consultas.
Entre as vítimas estavam uma adolescente de 17 anos e uma mulher gestante.
Os relatos reunidos durante a investigação embasaram a acusação de importunação sexual, crime previsto no Código Penal, caracterizado pela prática de ato libidinoso contra alguém, sem sua anuência, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia.






